As Rainhas do Grito

Além da atuação e popularidade, o timbre de voz pode ser decisivo para a contratação de uma atriz de filmes de horror

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O que passa em sua mente quando falamos em filmes de horror? Monstros, assassinos em série, criaturas sobrenaturais? Porém, para ter aquele clima de desespero, é preciso que alguém espelhe todo pânico da situação por meio de um artificio bastante usado nestas películas – o grito.

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Esse elemento sonoro não é gratuito e a explicação vem da psicologia humana. Na medida em que ouvimos um grito de voz aguda, temos a impressão de que o personagem está fragilizado, além de provocar desconforto ao público que ao mesmo tempo visualiza a situação de risco nas telas de cinema. Por isso que algumas atrizes são escaladas para este tipo de papel e as mais famosas de Hollywood recebem o título de Rainhas do Grito (Scream Queens em inglês).

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Essa expressão foi bastante popular nos anos 1970, apesar de remotar a década de 1930. Uma das performances mais emblemáticas foi protagonizada pela atriz Janet Leigh na clássica cena no chuveiro em Psicose (1960). A então Rainha do Grito de sua época conseguiu que seu desempenho fosse potencializado pela composição de Bernard Herrmann (em que trabalhou em mais sete filmes com Hitchcock) e seus acordes repetitivos de violino.

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E quem diria que o título de Rainha do Grito seria hereditário, como em uma monarquia: Jamie Lee Curtis, filha de Leigh, tornou-se a “vítima” favorita dos anos 1980, principalmente nos filmes de John Carpenter, a exemplo de Halloween (1978).

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Janet Leigh (1927-2004) e Jamie Lee Curtis: o “grito” em família
Janet Leigh (1927-2004) e Jamie Lee Curtis: o “grito” em família

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Porém, foi em 1933 que surgiu um filme capaz de inaugurar a tradição das Rainhas do Grito, afinal, o que seria de King Kong sem o desesperador rapto de Ann, interpretada por Fay Wray (lembre-se do remake de Peter Jackson em que Naomi Watts também exageram no berro). Depois do sucesso, Wray foi escalada em outros filmes que exigiriam seus dotes vocais. Beverly Garland (década de 1950) e Neve Campbell (protagonista da cinessérie Pânico nos 1990) também receberam este título.

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Logicamente que as atrizes que não possuem um agudo estridente não deixam de fazer filmes de horror e suspense. Caso o diretor ou diretora achem necessário, fica a cargo da pós-produção resolve isso.

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Sendo clichê ou não, o grito (sobretudo feminino) é um dos elementos que incorporam a linguagem cinematográfica e são essenciais para o gênero de horror, suspense ou qualquer filme que intencione trazer tensão psicológica ao seu público.

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Confira o trailer de King Kong de 1933 e a performance vocal da atriz Fay Wray:

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Fonte: CARREIRO, Rodrigo. Sobre o Som no Cinema de Horror: padrões recorrentes do estilo. Acesse o texto aqui.

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