Top 7: O lado oculto de Audrey Hepburn

Um dos maiores ícones do cinema clássico, Audrey Hepburn completaria 89 anos nesta sexta-feira, 4 de maio. A atriz, que nos deixou aos 63 anos, em 1993, vítima de um câncer de apêndice, cravou seu nome na história da sétima arte ao interpretar personagens doces e com um carisma sem igual. A simpatia e elegância que demonstrava dentro e fora da tela foram imprescindíveis para torná-la um mito. Audrey era muito mais do que uma atriz; era uma figura que transcendia os limites impostos pela quarta parede cinematográfica.

Entre seus trabalhos inesquecíveis estão filmes como Bonequinha de Luxo (1961), A Princesa e o Plebeu (1953), Sabrina (1954), Cinderela em Paris (1957) e tantos outros que são sua marca registrada. Mas em sua longeva carreira de mais de 40 anos, ela atuou em diversas outras produções que hoje não são reverenciadas como as que a consagraram, se tornando até meio esquecidas pelo grande público. Algumas mostram uma faceta diferente da atriz, umas são muitos boas; outras, nem tanto assim, mas todas merecem ser descobertas. Veja o Top 7 que mostra o “lado B” da eterna Holly Golightly:

7. Robin e Marian (Robin and Marian) (1976)

Mais madura, Audrey faz par romântico com Sean Connery nessa aventura baseada na lenda de Robin Hood. Após anos de batalhas nas cruzadas, Robin retorna a Sherwood com seu companheiro Little John (Nicol Williamson) e reencontra seu antigo amor, Lady Marian, que havia se tornado freira. Enquanto revivem sua paixão, eles têm que lidar com inúmeros perigos e inimigos, entre eles, o xerife de Nottingham (Robert Shaw). Ao contrário de outras obras que retratam os heróis como serem joviais e destemidos que sempre obtém a felicidade como paga pelos seus méritos, aqui é mostrada a realidade do envelhecimento e da desilusão, além de um amor maduro sem os corriqueiros ímpetos da juventude. O filme marcou o retorno de Hepburn as telas depois de uma ausência de oito anos.

6. A Flor Que Não Morreu (Green Mansions) (1959)

Nesse filme, Audrey é dirigida pelo seu então marido, o também ator Mel Ferrer, e atua ao lado de Anthony Perkins, consagrado no ano seguinte por seu papel em Psicose (1960). Na trama, Hepburn interpreta Rima, uma moça que vive na selva amazônica e se apaixona por um jovem idealista venezuelano, interpretado por Perkins, que foge de sua terra natal para escapar de uma revolução. O longa-metragem é baseado no romance de 1904, Green Mansions, de William Henry Hudson, e possui trilha sonora de Bronislaw Kaper, com material adaptado de composições do brasileiro Heitor Villa-Lobos. Como de costume, os índios e a região amazônica são retratados de maneira esteriotipada e, embora tenha sido um fracasso de crítica e bilheteria, é uma obra curiosa que merece ser conhecida.

5. Amor na Tarde (Love in the Afternoon) (1957)

O que poderia ser garantia de sucesso, acabou não tendo o efeito desejado. A parceria entre o renomado diretor Billy Wilder e o roteirista I.A.L. Diamond, com seus diálogos e humor afiados, acabou não dando tanto certo nesse romance com doses de espionagem. A trama é sobre a relação entre Ariane (Hepburn), a jovem filha do detetive Claude Chavasse (Maurice Chevalier), e o bon vivant de meia idade, Frank Flannagan (Gary Cooper), a quem ele deveria espionar. A diferença de idade entre entre o eterno mulherengo e a mimada um tanto infantil não foi bem aceita pela crítica e o conservador público dos anos 50, e, aliada à trama confusa, foi um fator determinante para o fracasso do filme. Apesar disso, foi ele indicado a Melhor Filme, Atriz (Hepburn) e Ator (Chevalier) de comédia musical.

4. Um Caminho para Dois (Two For the Road) (1967)

Dirigido por Stanley Donen e co-estrelado por Albert Finney, o filme retrata os altos e baixos do casamento, por meio da reflexão que o arquiteto Mark Wallace e sua esposa Joanna fazem sobre sua relação de doze anos durante uma viagem que para o sul da França. Ao longo do trajeto, os dois relembram momentos que passaram na mesma travessia, enquanto avaliam o quanto vale a pena permanecerem juntos. Contado de maneira não linear, o filme apresenta cenas dos últimos estágios da relação justapostas com os de seu início, e constrói a continuidade do período de tempo retratado por meio da utilização de vários locais em diferentes segmentos. Audrey Hepburn recebeu uma indicação ao Globo de Ouro por sua atuação.

3. Uma Cruz à Beira do Abismo (The Nun’s Story) (1959)

Antes de fazer uma freira em Robin e Marian, Hepburn já havia vestido o hábito nesse filme, que expõe de modo detalhado todas as fases da vida de uma freira, desde a entrada no convento até sua ordenação. Gabrielle Van der Mal, filha de um famoso cirurgião, decide abandonar tudo para tornar freira, mas passa por dificuldades para se adaptar às regras do convento. Enquanto isso, conserva o sonho de trabalhar como enfermeira no Congo Belga. Após realizar seu desejo, percebe que as coisas não são tão fáceis como imaginava. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Diretor (Fred Zinnemann), Atriz (Hepburn), Fotografia Colorida (Franz Planer), Edição (Walter Thompson), Trilha Musical (Franz Waxman), Som e Roteiro Adaptado (Robert Anderson).

2. Um Clarão nas Trevas (Wait Until Dark) (1967)

Aqui, Audrey se aventura por um gênero diferente dos que estava habituada a trabalhar: o suspense. Audrey é Susy, uma mulher recém-casada que perdeu a visão. Durante uma viagem de avião com seu marido, ela acaba segurando uma boneca com um conteúdo misterioso. Depois de levar o brinquedo para casa, ela passa a ser perseguida por três criminosos altamente perigosos que farão de tudo para reaver a boneca. Sozinha em seu apartamento e sem visão, ela precisa encontrar um jeito de escapar dos bandidos. O filme conta com a participação do ainda jovem Alan Arkin, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Pequena Miss Sunshine (2007).Por seu trabalho, Hepburn conseguiu uma indicação ao Oscar.

1. Infâmia (The Children’s Hour) (1961)

Hollywood conseguiu burlar a ditadura importa pelo Código Hays e produziu no início dos anos 1960 esse controverso filme com um tema que ainda era tabu na época: a homossexualidade. As professoras Karen Wright e Martha Dobie, vividas por Hepburn e Shirley MacLaine, são acusadas por uma aluna de manterem um relacionamento amoroso. A notícia gera um grande impacto na vida das amigas e as duas têm que lutar para provar a verdade enquanto sofrem as consequências do boato. Conduzido pelo renomado diretor William Wyler, o filme é uma verdadeira jóia por tratar de um assunto tão polêmico de maneira contundente numa época em que a sociedade ainda mantinha uma grande atmosfera de preconceito e repressão. Foi indicado a cinco Oscar: Melhor Atriz Coadjuvante (Fay Bainter), Fotografia (Franz Planer), Direção de Arte (Fernando Carrere e Edward G. Boyle), Figurino (Dorothy Jeakins) e Som (Gordon Sawyer).